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| Figura 2 – Estruturação do espaço com bola |
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| Figura 3 – Sobreposição de Estruturas e Compactação |
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| Figura 4 – Manutenção das Estruturas deformadas |
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| Figura 5 – A mobilidade como princípio estrutural de ataque do FC Barcelona |
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| Figura 2 – Estruturação do espaço com bola |
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| Figura 3 – Sobreposição de Estruturas e Compactação |
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| Figura 4 – Manutenção das Estruturas deformadas |
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| Figura 5 – A mobilidade como princípio estrutural de ataque do FC Barcelona |

Figura 1 – As variantes da Plataforma Tática Matriz (clique para ampliar)
Num momento inicial e pelas características dos jogadores, a plataforma tática que se configura é a 1-4-3-1-2 (figura 1 – A) que funciona como uma matriz para o aparecimento de novas configurações para as situações do jogo que vão se delineando. E como a partir das situações do jogo, novas plataformas vão se apresentando com regularidade, constata-se que realmente vão além de adequações posicionais da matriz para emergirem como alternativas para resolver as necessidades da equipe principalmente quando está sem a bola.
Quando o adversário inicia a circulação da bola no campo defensivo, o Brasil adianta a primeira linha de marcação até a intermediária ofensiva (figura 1 – B). Robinho e Elano adiantam-se nas faixas laterais e Luís Fabiano na faixa central com o Kaká também centralizado, porém um pouco mais atrás, formando um grande losango. Duas tarefas parecem balizar esse quarteto: manter a bola em circulação pela linha defensiva pelo maior tempo possível (aumentando as chances de um erro ser cometido e fazendo com que os mesmos tomem decisões precipitadas) e, se o adversário quiser aprofundar o jogo, direcioná-lo para o centro do losango onde sofrerá pressão imediata.
Caso a bola entre nesse espaço e não seja imediatamente recuperada, Elano e Robinho recuam até a linha do Kaká dando origem a plataforma 1-4-2-3-1 (figura 1 – C). Com essa formação, a referência é direcionar o adversário para as laterais, onde ele será pressionado.

Figura 2 – O Brasil no campo de defesa e o Balanço Defensivo (clique para ampliar)
Mesmo quando o adversário progride rapidamente, o Brasil consegue defender-se com pelo menos oito jogadores (goleiro + sete) atrás da linha da bola. Caso o ataque rápido ou contra-ataque do adversário seja desacelerado e ele comece a circular a bola na busca de espaços para finalizar (ataque posicional), o Robinho recua um pouco mais e mantem o equilíbrio horizontal da equipe assegurado (figura 2 – D) apontando para uma outra plataforma, o 1-4-4-1-1, com nove (goleiro + oito) jogadores atrás da linha da bola.
A organização defensiva brasileira enfrenta os seus maiores problemas quando tem que se defender muito próxima a seu gol. E isso não acontece simplesmente pela proximidade que o adversário está da sua meta, mas também porque nesta zona do campo a equipe (Seleção Brasileira) ainda demonstra uma considerável confusão em relação às referências para a marcação. Alguns jogadores mantem as estruturas com referências no espaço, outros acompanham o adversário direto, com pouca coordenação entre esses movimentos. Esse fato leva o Brasil a desorganizar-se e a recuperar a bola (com certa dificuldade e em zonas que não favorecem a manutenção ou a progressão) muito próxima do gol que defende tendo interferência direta na transição ofensiva que fica prejudicada. Nestes momentos do jogo, a Seleção fica em sua maioria na intermediária defensiva, sofrendo alguns ataque consecutivos (figura 2 – E).
O Brasil tem obtido muito êxito em ataques rápidos e contra-ataques, porém quando o adversário consegue construir situações que o induzem a circular com uma certa freqüência (ataque posicional) alguns problemas são apresentados. O principal deles é no balanço defensivo, que pode ser observado quando a Seleção enfrenta equipes que tem como princípio recuperar a bola e sair rápido para o campo de ataque. Os locais onde o risco é mais evidente nas últimas partidas são as faixas laterais (figura 2 – F), porque jogando contra equipes compactas, o Brasil busca penetrações por essa região na tentativa de dar melhor amplitude ao ataque.
Com três anos de trabalho sob o comando do técnico Dunga, fica evidente a evolução que a Seleção Brasileira teve desde que ele assumiu. Com menos de um ano para a Copa do Mundo, alguns detalhes ainda podem (e devem) ser acertados. Independente disso, o treinador chegará à Copa merecendo a credibilidade (que ele conquistou com bons resultados) de todos.
Leandro Zago
1. Princípios Operacionais de Defesa (POD)
A Colômbia jogou na plataforma 1-4-4-2 com “duas linhas de 4” bem definidas e utilizou como POD impedir a progressão do adversário. Ela só mudava o POD quando o Brasil passava da intermediária ofensiva e a equipe colombiana buscava recuperar a bola. O Brasil utilizou como POD impedir a progressão até a linha 3 (meio – campo) e recuperar a bola quando o adversário entrava em seu campo. Nesse tópico começam a surgir os problemas para a Seleção, pois devido sua disposição em campo (veremos a seguir) não conseguia circular a bola quando em posse da mesma, perdendo-a rapidamente e, quando sem bola, optou por um princípio operacional inadequado porque quando a posse era colombiana, seus zagueiros realizavam passes laterais sem a menor pretensão em progredir no campo de jogo. Ao tentar adiantar a marcação, o Brasil desorganizava-se e a Colômbia o atacava com espaços.
2. Estruturação do espaço de jogo
Devido ao POD da Colômbia, em muitos momentos fazia-se necessária a circulação da bola pela equipe brasileira. O trabalho dos jogadores colombianos foi bem facilitado pela péssima estruturação espacial que o Brasil apresentava quando em posse da bola. A disposição pelo gramado dos jogadores brasileiros não dava conta de criar linhas de passe em bom número ao portador da bola (triângulos, losangos e diagonais) e nem aproveitava todo o espaço possível cumprindo alguns princípios estruturais de ataque como amplitude e profundidade, por exemplo.
3. Velocidade de(o) jogo
Sem algo desenhado sob o ponto de vista estrutural e espacial (estruturas fixas e móveis) e enfrentando uma equipe que desacelera o jogo através da sua estratégia adotada fica complicado aumentar a velocidade de passe-domínio-passe para que a circulação fique mais dinâmica. Para completar, Dunga deu declarações justificando a falta de velocidade ao cansaço dos jogadores Kaká e Robinho (que teoricamente seriam os responsáveis por proporcionar essa característica à equipe) como se o padrão coletivo não tivesse interferência nesse quesito.
4. Entrevistas de Kaká e Lúcio no intervalo
Ao final do primeiro tempo os jogadores Lúcio e Kaká deram entrevistas em que usaram palavras diferentes, mas falaram sobre aumentar a velocidade do jogo. Lúcio falou mais especificamente sobre ter que jogar em maior velocidade e Kaká sobre passar a bola de forma mais rápida. Os jogadores parecem compreender o que ocorre na partida, mas as soluções que escolhem não atendem às necessidades.
5. Saída de bola, chutões e segundas bolas
Outra conseqüência do princípio operacional proposto pela Colômbia foi a dificuldade que a Seleção tinha na saída de bola. A linha defensiva brasileira rodava a bola sem progressão, e sem velocidade, não criando espaços e nem sendo ajudada pela movimentação dos jogadores à frente da linha da bola. Como resultado, a tentativa de realizar ligação direta, através de passes longos, altos e verticais. Com a defesa colombiana recebendo esses passes de frente e com a superioridade numérica em seu campo de defesa (8 + 1 X 3 e 8 + 1 X 4 na maioria da vezes) as “segundas bolas” na maioria das vezes eram da equipe visitante.
6. Robinho e a leitura do jogo
Jogando contra uma equipe que coloca rapidamente nove jogadores (oito + goleiro) em seu campo de defesa, parece claro que sempre que for possível deve-se contra – atacar com velocidade, mudar de zonas do campo (tanto em horizontalidade como em verticalidade) para que o ataque termine rapidamente antes da recomposição adversária. Robinho, sempre que teve a oportunidade optou pela condução, mas antes de qualquer crítica individual, deve-se observar que não foram criadas linhas de passe interessantes para que a melhor decisão fosse tomada.
7. Entrada do Mancini e saída do Robinho
Ao colocar o ala Mancini, houve uma tentativa de um 1-4-2-1-3 com Robinho e Mancini abertos e Kaká nas costas do Jô. Em seguida, Robinho de machucou, entrou Alexandre Pato e Jô veio jogar aberto e longe do gol pelo lado esquerdo. Para jogar com três atacantes é necessária uma familiarização com essa plataforma para que suas dinâmicas sejam bem aplicadas, caso contrário há uma inferioridade numérica em zonas importantes do campo.
Sem considerar a falta de coordenação das transições brasileiras e outros detalhes como a mudança constante de plataforma de jogo, não observa-se que a comissão técnica da Seleção tenha claro algumas coisas que foram abordadas nesse artigo. É sempre um processo de aprendizagem assistir aos jogos da Seleção Brasileira, principalmente para aqueles que, com uma visão crítica, estão construindo um saber sobre o jogo. E para esses, aprender coisas novas é algo contínuo que nunca terminará, enquanto para outros o que está estabelecido é uma verdade suficiente para dar-lhes respostas, independente se são sempre as mesmas, afinal no futebol tudo que tinha para ser criado está aí, o resto é invenção. Você acredita nisso?
Leandro Zago
Em partida disputada no Camp Nou, Barcelona e Manchester United não marcaram gols e adiaram a decisão para o segundo jogo na Inglaterra. Aos dois minutos de jogo o Manchester teve a seu favor um pênalti depois que a bola bateu na mão do zagueiro Milito. Cristiano Ronaldo bateu para fora desperdiçando uma oportunidade de abrir vantagem para o jogo da volta.
Frank Rijkaard utilizou a plataforma 4-1-3-2 com alternância para a 4-1-2-3 nos ataques posicionais através da abertura de Iniesta como um atacante pelo lado esquerdo. Alex Ferguson montou o Manchester na plataforma 4-4-1-1, marcando na intermediária defensiva. Ambas equipes usaram a marcação híbrida, ou seja, alternando, de acordo com a situação características da marcação individual e zona.
Figura 1 – Barcelona (laranja) sem bola
Mesmo tendo ficado com a posse de bola quase o dobro do tempo do Manchester (64% contra 36%), o Barcelona alterou um pouco sua forma de jogar colocando três jogadores à frente de Touré (5) em seu setor de meio de campo (figura 1). Após a recuperação da bola, Iniesta (8) entrava como terceiro atacante, dando amplitude ao ataque pelo lado esquerdo, fazendo com que a equipe circulasse a bola da maneira que está habituada. Porém, esse desenho (figura 2) não permitia jogadas individuais por esse lado pelas características do atleta, concentrando o jogo espanhol todo em Messi (11) do lado direito até o momento da sua substituição.
Figura 2 – Barcelona buscando a profundidade ofensiva
Pela disposição espacial, podemos observar que dois jogadores do Manchester tinham funções além daquela que é flutuar com a equipe. Evra (6) não acompanhava a flutuação à direita da sua equipe, marcando Messi com proximidade. Tévez (9) aproximava-se de Touré (5) sempre que o Barcelona recuperava a bola, ou marcando individualmente ou fechando linhas de passe para esse jogador. O ala Park (11) quando necessário recuava um pouco ocupando o espaço na linha de defesa deixado pela opção em marcar individualmente Messi.
Ferguson mostrou estar correto nas opções adotadas, pois, foi à Espanha e trouxe um resultado interessante para decidir em casa. O maior volume de jogo do Barcelona não foi traduzido proporcionalmente em reais chances de gols, sendo a melhor oportunidade para marcar o pênalti desperdiçado por Cristiano Ronaldo.
Em ambas partidas, Dunga optou por iniciar a partida no sistema de jogo que vem utilizando, o 4-2-3-1. No jogo em Lima, Ronaldinho (talvez por voltar de um período lesionado) jogou posicionado à frente dos volantes, Mineiro e Gilberto Silva, atuando como um organizador e trabalhando muito nas transições defensivas. Kaká e Robinho com isso, tiveram uma liberdade que transformou-se num desacerto posicional nos momentos com e sem bola, tendo como conseqüência facilidades para a equipe peruana que jogava num 4-4-1-1 com marcação mista. Mesmo com algumas falhas, o 4-3-3 adotado pelo Peru no segundo tempo foi suficiente para acuar o Brasil e empatar o jogo.

Figura 1 – Uruguai (preto) pressionando em 3-3-1-3
No Morumbi, enquanto uma boa parte dos brasileiros esperavam jogar contra um time recuado, o Uruguai do treinador Óscar Tabárez utilizou uma estratégia que vários adversários da Seleção Brasileira vem usando (vamos nos lembrar do jogo contra a França na última Copa do Mundo): marcar a saída de bola brasileira, pressionando quando esta (a bola) chega no laterais.
Tendo como matriz a plataforma 4-2-1-3, a equipe celeste mudava essa conformação base quando o Brasil saía jogando e quando seu goleiro, Carini, batia os tiros de meta. Para chegar no 3-3-1-3, o lateral Fucile (6) adiantava-se para a linha dos volantes Gargano (5) e Gonzáles (8) e o outro lateral, Pereira (2), centralizava um pouco, aproximando-se da dupla de zagueiros, Godín (3) e Lugano (4). Conseqüentemente, o time uruguaio conseguia pressionar em zonas mais adiantadas, tendo recuperado muitas bolas em seu campo ofensivo.
Vamos destacar alguns pontos que foram evidenciados nesses dois jogos na Seleção Brasileira:
- faltam de alternativas de jogo, o Brasil tem seu sistema e tem dificuldades quando ele não “encaixa” contra determinado tipo de jogo do adversário;
- dificuldades na saída de bola, principalmente quando o adversário utiliza sistemas com três atacantes (falta amplitude e velocidade de transmissão de bola);
- o Brasil não consegue pressionar de forma organizada o adversário com seu sistema de jogo, quando isso é necessário em situações de desvantagem no placar, a equipe fica desequilibrada;
- os volantes Gilberto Silva e Mineiro, não conseguem marcar toda a largura do campo dentro de sua área de atuação (de uma lateral a outra), por isso com a entrada de Josué foi criada uma linha de 3 volantes que equilibrou melhor essa situação.
A equipe brasileira necessita dessas correções para que seus atletas consigam desempenhar melhor suas funções, pois só com um desempenho coletivo melhor cada um conseguirá potencializar suas qualidades.
Leandro Zago
Com a vitória conquistada na Argentina, o Boca Juniors veio ao Morumbi necessitando de um empate ou até de uma derrota por um gol de diferença desde que marcasse dois ou mais gols (3 a 2 ou 4 a 3 para o São Paulo por exemplo). Ao São Paulo bastaria uma vitória por 1 a 0 que igualaria a somatória de gols do confronto e eliminaria o time argentino nos gols marcados fora de casa. E foi exatamente isso que ele obteve, numa partida muito disputada, com duas equipes determinadas a conseguir o resultado e raras oportunidades reais de gol.
As escalações das duas equipes foram bem parecidas com as do jogo anterior. No Boca, apenas Palácio não atuou na segunda partida sendo substituído por Boselli. Na equipe brasileira três alterações: Alex Silva na vaga de André Dias, Dagoberto para o lugar de Hugo e Borges no ataque no lugar de Aloísio.
Em relação à plataforma de jogo, ambas equipes utilizaram as mesmas do jogo em “La Bombonera”. O São Paulo jogando no 3-6-1 e o Boca no 4-3-1-2 (ver parte 1).
E, com praticamente as mesmas escalações iniciais e as mesmas plataformas de jogo, a partida apresentou características diferentes da anterior. Principalmente pela mudança de atitude do São Paulo que alterou sua estratégia, pois sabia que o Boca tentaria a todo momento controlar a partida. Vejamos duas dessas alterações na postura da equipe:
- sem bola, o São Paulo optou por uma marcação mais agressiva (ativa) buscando recuperar a bola rapidamente. Resultado: o Boca errou mais passes do que no primeiro jogo e o São conseguiu ter a bola mais tempo do que na Argentina controlando melhor o jogo de acordo com seu interesse.
- reposição rápida do Rogério Ceni sempre que a bola era finalizada em seu gol. Resultado: o triângulo ofensivo do Boca não conseguia organizar-se para marcar a saída de bola são-paulina diminuindo o número de recuperações de bola na zona de meio de campo pelo trio Battaglia, Ledesma e Dátolo.
No início do segundo tempo o São Paulo veio a campo com Aloísio no lugar de Borges e montado num 4-3-3 (figura 1). Foi quando conseguiu marcar o gol que deu sua classificação aos 9 minutos com o próprio Aloísio e em seguida retornou para o 3-6-1, plataforma essa que utiliza em grande parte de seus jogos e conseqüentemente onde se sente mais seguro para jogar.

Figura 1 – O 4-3-3 do São Paulo
Nessa formação, a linha defensiva ficou formada por: Alex Silva (2), Miranda (3), Breno (4) e Richarlyson (6). Hernanes (5) ficou como único volante tendo a sua frente Souza (8) e Jorge Wágner (10) com meias. Dagoberto (7) jogou aberto na direita e Leandro (11) na esquerda com Aloísio (9) centralizados entre os zagueiros.
Com essa formação, Muricy Ramalho conseguiu ter uma distribuição de atletas mais equilibrada nos setores e mais próxima também da utilizada pelo Boca. Isso criou espaços entre as linhas do time argentino nos menos de 10 minutos em que foi praticado. Como resultado, um gol iniciado numa reposição longa com os pés feita por Rogério Ceni que pegou a defesa do Boca mal posicionada permitindo uma disputa aérea na linha de sua área sem um posicionamento adequado de seus zagueiros.
Na abertura da fase internacional da Copa Sul-americana, o São Paulo foi até Buenos Aires enfrentar o Boca Juniors, atual campeão da Copa Libertadores em “La Bombonera”. Tão temido em seu estádio, o Boca conta com uma equipe sem grandes destaques individuais, mas com uma consciência tática boa, tendo atletas que se aplicam fortemente para que a estratégia montada pelo seu treinador Miguel Russo seja bem sucedida.
Sabedor da boa fase pela qual passa o São Paulo, Miguel Russo optou por marcar a saída de bola da equipe brasileira dificultando a chegada da mesma em seus volantes e alas (Hernanes, Richarlyson, Souza e Jorge Wágner) obrigando os zagueiros tricolores a realizar longos lançamentos para o setor ofensivo (figura 1).

Figura 1 – Atacantes do Boca (preto) marcando a saída do São Paulo (laranja)
O Boca montou um triângulo com Gracián (10), Palermo (9) e Palácio (11) que balançava pelo campo ofensivo fazendo com que o São Paulo tivesse como única opção de saída pelo chão passes abertos nos alas. Estes recebiam pressão dos volantes argentinos (Dátolo-7 no Souza-2 e Ledesma-8 no Jorge Wágner-6) assim que recebiam a bola, não permitindo nem que esses alas virassem o corpo de frente para o ataque. Esse trio de médios recuperadores completava-se com a presença de Battaglia entre eles, jogando como um pivô defensivo nos momentos em que o Boca saía com a bola de trás.
Para as transições ofensivas (defesa-ataque), o Boca mantinha sempre 3 jogadores a frente da linha da bola, sendo o Gracián (10) responsável por sair com a bola do campo defensivo por dentro e Palácio (11) pela transição rápida “por fora” sempre se posicionando do lado em que a jogada do adversário ocorria. Essa saída rápida de trás dependia da zona onde era recuperada a bola e do equilíbrio defensivo que o São Paulo apresentava no momento. Palermo (9) ficava posicionado bem à frente para uma possível ligação direta (figura 2).

Figura 2 – Transição ofensiva do Boca montada
Com duas jogadas de bola aérea o Boca conseguiu construir uma vantagem para o segundo jogo, que só não foi maior pelo gol marcado por Borges no final do jogo em uma das poucas falhas de posicionamento da equipe argentina.
Normalmente as equipes que vão enfrentar o Atlético em Curitiba utilizam-se de uma estratégia semelhante: realizar uma marcação no meio campo defensivo, buscando trazer o Atlético para o seu campo e sair em contra-ataques velozes quando a bola é recuperada. Quando dá certo, tudo bem, o gol acaba saindo ou pelo menos mantendo o Atlético longe das áreas de risco e o visitante jogando com o placar a favor consegue ter um controle melhor do jogo. Mas o que vemos na maioria das vezes é a equipe adversária acuada, sem posse de bola, com grande dificuldade de realizar a transição ofensiva e mesmo segurando o Atlético por algum tempo acaba não suportando a pressão e sofrendo a derrota. Algumas vezes por um placar dilatado.
Luxemburgo nas quis correr esse risco. Preferiu evitar a pressão do que suportar a pressão. Sempre que o Atlético ia sair jogando a equipe do Santos recuava um pouco seus dois atacantes para que o Atlético saísse jogando com sua linha de zagueiros (figura 1).

Figura 1 – Santos (preto) um pouco recuado
Nesse momento em que a bola era passada para um dos defensores, O Rodrigo Tabáta (10) adiantava-se como um terceiro atacante junto com o Marcos Aurélio (9) e o Jonas (11). Estes dois abriam um pouco para pressionar a saída de bola do Atlético nas laterais criando um bloco de pressão na saída de bola atleticana. Esse bloco movimentava-se da seguinte forma: o atacante na bola marcava em cima seu jogador a uma distância que não permitia ser driblado facilmente e os outros dois recuavam um pouco realizando as coberturas por dentro (figura 2).

Figura 2 – Pressão no lateral do Atlético/PR
Como podemos ver na figura acima, o lateral tem poucas alternativas. A bola na paralela para o meia (8) tem chance pequena de sucesso pela marcação próxima que os dois sofrem e o fato de que provavelmente o meia dominará a bola de frente para seu próprio gol e com um marcador em cima. O passe para o goleiro é uma possibilidade, mas provavelmente ele terá que alongar a bola devolvendo sua posse ao Santos. Quando a bola voltava para o zagueiro mais próximo (4), o Tabáta (10) adiantava-se nele tirando a opção da virada de jogo (para isso ele entrava pelo lado oposto ao que vinha a bola no adversário) e os outros dois atacantes marcavam por dentro as opções de passe (figura 3).

Figura 3 – Pressão no zagueiro eliminando a virada de jogo no lateral (2)
Isso fez com que o Atlético não conseguisse transportar a bola com qualidade até seus jogadores responsáveis pela construção das jogadas nas zonas mais adequadas. Essa marcação na saída da bola que o Santos fez “quebrou” a equipe atleticana no momento em que ela foi utilizada, não permitindo uma ligação entre os setores descompactando em profundidade o Atlético.
O Santos venceu por 1 X 0, o Atlético/PR criou poucas chances claras de gol e Luxemburgo provou estar certo na estratégia adotada mais uma vez.