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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

As Estruturas e as Interações da linha de meio campo e de ataque da equipe do FC Barcelona

A partir das Estruturas construídas no campo de jogo muitas dinâmicas acontecem na Interação entre os jogadores resultando em um futebol atrativo e efetivo

“Existe alguma coisa a mais na vida, alguma coisa
não-material e irredutível – um padrão de organização”
(Capra, 2006)

O Futebol apresentado pelo Barcelona, nos últimos sete anos principalmente, tem chamado a atenção de todos que acompanham essa equipe. Pela forma como os excelentes resultados que vem sendo obtidos (em uma parte considerável desses resultados há uma grande diferença de gols pró equipe catalã) são construídos, de uma maneira muito consistente, alguns fatores emergem como destaques positivos. Dentro de uma cultura de jogo muito definida (pode-se dizer também que há uma cultura do clube que engloba uma cultura de jogo com interferência bidirecional), os corportamentos de jogo (em sua maioria) são balizados por essa cultura, tendo por consequência padrões de movimentação que, apesar de bem sistematizados, interagem bem com o jogo do adversário criando as adequações necessárias na grande maioria das vezes em que é preciso para resolver as adversidades que o jogo propõe.  
O Jogo do Barcelona é contruído numa Plataforma Tática de 1-4-3-3 com um goleiro muito ativo dentro dos quatro momentos do jogo (organização ofensiva, transição ataque-defesa, organização defensiva e transição defesa-ataque), uma linha de quatro jogadores a sua frente muito habituada a jogar “alta” (avançada), um meio campo com três jogadores disposto estruturalmente em um triângulo apontado para trás e três atacantes que mantêm com uma certa regularidade também uma estrutura em triângulo, porém apontada para a frente. O foco desse artigo está prioritariamente nesses dois triângulos formados pelos seis jogadores (linha de meio campo e de ataque), porém sem jamais desconsiderar que sistemicamente estão intimamente relacionados com as dinâmicas de toda a equipe, como será visto a seguir.  
 
Figura 1 – A regularidade da emergência das Estruturas
Como pode-se observar na Figura 1, as estruturas estão presentes nas mais diversas situações e obviamente deformam-se, aproximam-se, sobrepõe-se, se afastam, ou seja, realizam uma gama muito ampla de movimentos para resolver os problemas propostos pelo jogo.

Figura 2 – Estruturação do espaço com bola

Na Figura 2, o Barcelona está em Organização Ofensiva, com um relativamente bom espaço efetivo de jogo e com mais jogadores para trás da linha da bola (campo grande para trás), criando uma situação mais favorável à circulação e manutenção da posse do que de progressão. É interessante observar a reação da equipe como um todo e dos jogadores (elementos) se comportando simultaneamente para atender essa necessidade (manutenção da bola). São as convenções coletivas da qual todos compactuam, construídas dentro do processo de treinamento que alguns jogadores dessa equipe vivenciam desde o início da formação nas categorias de base do clube, que permitem tal feito com tanta eficácia.

Figura 3 – Sobreposição de Estruturas e Compactação

Com a defesa avançada (tentando diminuir o espaço efetivo de jogo do adversário “dentro” da equipe) há uma sobreposição devido a subida dos meias (Iniesta e Xavi) que estão tentando pressionar a bola para desqualificar (no sentido de diminuir a qualidade) qualquer tentativa do adversário. É o “campo pequeno a defender” neste caso, porém com um espaço muito grande para ser gerido nas costas da linha de defesa. Pode-se observar que mesmo em situações como esta, a Plataforma Tática 1-4-3-3 está mantida e muitas estruturas em trângulo (estruturação do espaço típica do modelo de jogo da equipe) poderiam ser construídas selecionando aleatoriamente quaisquer três jogadores. 


Figura 4 – Manutenção das Estruturas deformadas

Assim como nos outros três momentos, em organização ofensiva, os jogadores se relacionam intra (relações internas do setor) e inter (relações com outros setores) setorialmente para que a macro-estrutura Equipe possa atingir seus objetivos (marcar gols e vencer a partida). Na tentativa de desequilibrar o adversário, várias trocas acontecem, jogadores “atacam” espaços vazios, o lateral oposto mantêm a boa amplitude da equipe, atacantes se aproximam e se afastam, alguns jogadores ficam em zonas sem pressão para uma necessidade de retirada da bola da zona de pressão e outra infinidade de possibilidades. Segundo Capra (2006), a estrutura do organismo apenas “condiciona o curso de suas interações e restringe as mudanças estruturais que as interações podem desencadear nele”. Portanto, a estrutura deve ser vista como meio, não como fim. A finalidade da preparação para o jogo deve sempre manter relação com os objetivos do jogo (marcar gols e impedir os gols do adversário) e a contrução de estruturas tanto fixas como móveis deve estar subjulgada a isso.

Figura 5 – A mobilidade como princípio estrutural de ataque do FC Barcelona

Há interações permanentes em uma equipe de futebol. Em todas, sem exceção. A qualidade das interações é algo único, que pertence a cada equipe, sendo um dos fatores que dão identidade à ela. Os princípios de jogo que regem essas estruturas vão diferenrenciá-las em fixas e móveis (figura 5). Basicamente, nas estruturas fixas poucas trocas acontecem (como no caso da linha de defesa do Barcelona) com uma maior rigidez posicional e as estruturas móveis são caracterizadas por muitas trocas (linha de meio campo do Barcelona, principalmente os jogadores Xavi e Iniesta). Interessante como independente do tipo de estrutura da equipe, a mobilidade ocorre sem descaracterizá-la também organizacionalmente.    
Ao direcionar o olhar para as estruturas, deve-se ter muito claro que existe uma dinâmica permanente que a mantêm, não é algo estanque, parado, morto. E a “vida” que a equipe manifesta surge desse movimento constante.

Referência Bibliográfica
Capra, F. (2006) A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Editora Cultrix.

Leandro Zago

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pressionando alto em três diferentes Plataformas Táticas

Com o conceito da estruturação do espaço bem definido e a boa compreensão das inter-relações pode-se pressionar alto em várias Plataformas Táticas

Desenvolver conteúdos durante o processo de treino mostra-se primordial não somente por parecer “pedagogicamente correto” ao olhos de todos, mas por estar fortemente ligado à qualidade do trabalho e aos resultados obtidos. Compreender essa idéia derruba o antigo paradigma de que deve-se dar ênfase a boa formação para jovens atletas em detrimento à conquista de títulos nas categorias de base. Para equipes profissionais, o desenvolvimento de conteúdos dará sustentação ao trabalho e continuará a formação dos atletas (que não termina quando ele finaliza seu ciclo nas categorias de base) agregando valor ao clube que terá permanentemente seus jogadores evoluindo.
Pode-se ter como exemplo, o conceito da estruturação do espaço em função da posição da bola (marcação zonal), de fechar os espaços como equipe (Amieiro, 2005) e as possibilidades de interações posicionais que surgem a partir daí, criando variações no desenho do meio de campo e da linha de ataque que permitirão à equipe (ao treinador) mudar de acordo com a necessidade que o jogo exige. A proposta de pressionar na linha 1 (pressionar alto) apresentada nas três figuras a seguir, com 5 linhas de marcação (pressionando em profundidade) pode ser utilizada, por exemplo, sempre que for necessário recuperar rápido a posse da bola, dando pouco tempo ao adversário para tomar decisões. Os ajustes estruturais que acontecem de uma plataforma para outra geram mudanças nas interações, porque estrutura e padrão estão sempre intimamente relacionados. A partir das figuras, poderá surgir a discussão sobre pressão e pressing. Como os conceitos sobre essa discussão não estarão presentes, o termo pressão foi utilizado.

Na figura 1, a equipe que ataca no sentido da seta ao lado do campo está estruturada em um 1-3-4-1-2 com dois volantes, dois alas e um meia ofensivo no meio de campo. Seguem abaixo as dinâmicas de cada setor da equipe.   
- Goleiro (vermelho): fora da grande área
- Linha defensiva (azul): próxima ao meio campo, com os 3 zagueiros realizando uma flutuação para o lado da bola
- Meio Campo (azul escuro): o ala do lado da bola fecha a paralela, o ala do lado oposto a virada de jogo (caso a bola chegue no lateral que está aberto este ala temporiza a jogada) e o meia ofensivo ocupa o espaço entre os dois atacantes
- Atacantes (azul claro): o atacante do lado da bola pressiona a mesma e o do lado contrário tira a opção de passe curto para trás

Figura 1 - Pressão na linha 1 jogando no 1-3-4-1-2

Na figura 2, a equipe que ataca no sentido da seta ao lado do campo está estruturada em um 1-3-4-2-1 com dois volantes, dois alas e dois meias ofensivos no meio de campo. Seguem abaixo as dinâmicas de cada setor da equipe.  
- Goleiro (vermelho): fora da grande área
- Linha defensiva (azul): próxima ao meio campo, com os 3 zagueiros realizando uma flutuação para o lado da bola
- Meio Campo (azul escuro): o ala do lado da bola fecha a paralela, o ala do lado oposto a virada de jogo (caso a bola chegue no lateral que está aberto este ala temporiza a jogada), o meia ofensivo do lado da bola pressiona a mesma e o meia ofensivo do lado oposto ocupa o espaço entre o meia que pressiona e o atacante
- Atacante (azul claro): tira a opção de passe curto para trás


Figura 2 - Pressão na linha 1 jogando no 1-3-4-2-1
 
Na figura 3, a equipe que ataca no sentido da seta ao lado do campo está estruturada em um 1-4-3-2-1 com um volante, dois alas e dois meias no meio de campo. Seguem abaixo as dinâmicas de cada setor da equipe.  
- Goleiro (vermelho): fora da grande área
- Linha defensiva (azul): próxima ao meio campo, com o lateral contrário ao lado da bola um pouco mais distante do zagueiro do seu lado do que as distâncias mantidas entre os outros 3 jogadores da linha (linha elástica) para manter um bom equilíbrio horizontal (caso a bola chegue no lateral adversário que está aberto este lateral temporiza a jogada)
- Meio Campo (azul escuro): mantendo a estrutura proposta (um volante + dois alas + dois meias), o ala do lado da bola fecha a paralela. Em relação aos meias que jogam por dentro, o do lado da bola pressiona a bola enquanto o outro tira as opções de passe para as regiões centrais à frente do volante e do ala oposto
- Atacante (azul claro): tira a opção de passe curto para trás no zagueiro

Figura 3 - Pressão na linha 1 jogando no 1-4-3-2-1

Todas as dinâmicas apresentadas são consequência do processo de treinamento que levou os atletas a resolverem coletivamente o problema da ocupação do espaço aplicando as soluções que mais se aproximavam das suas possibilidades e características. A variação das plataformas dará ao treinador a possibilidade de ter a pressão alta como conteúdo de seu Modelo de Jogo estando com um, dois ou três atacantes em campo. O princípio é o conceito da pressão alta, não a plataforma tática.  

Referência Bibliográfica

Amieiro, N. (2005) Defesa à Zona no Futebol: Um pretexto para refletir sobre o jogar ... bem, ganhando! Edição do Autor.

Leandro Zago

sábado, 24 de abril de 2010

Modelo de Unidade de Treino



Esse artigo tem por objetivo detalhar de forma um pouco mais aprofundada a Unidade de Treino disponível para download, acrescentar algumas informações que não estão presentes ao lado dos exercícios. Mais uma vez cabe destacar que se trata de uma Unidade de Treino aplicada na segunda quinzena do terceiro mês de trabalho (portanto já durante a competição) e está integrada a um processo que iniciou-se no primeiro dia do trabalho com a equipe. Como as possibilidades da estruturação do Modelo de Jogo são quase que infinitas e cada treinador irá se deparar com uma realidade, a idéia da apresentação dessa pequena parte do trabalho é sugerir alguns caminhos e iniciar alguns conflitos na forma de perspectivar o treinamento, para que cada um crie sua forma de trabalhar de acordo com as convicções que carrega.

- O Modelo de Jogo
Basicamente, nos quatro grandes momentos do jogo, esse é o comportamento a ser potencializado nas atividades:
         - Organização defensiva: impedir a progressão do adversário;
         - Transição ofensiva: tirar a bola da zona de pressão;
         - Organização Ofensiva: progredir de forma apoiada ao ataque;
         - Transição defensiva: recompor-se rapidamente atrás da linha da bola

- O Aquecimento

Estão propostas três atividades para o aquecimento, para que uma delas seja escolhida para a preparação dos atletas nesta sessão. Cabe ressaltar que no momento do aquecimento, o grupo já está reunido a algum tempo, teve uma conversa inicial com o treinador e a sessão de treino está em andamento, por isso o enfoque no aquecimento é de uma atividade introdutória e que terá relação com o conteúdo a ser desenvolvido em seguida. Note que nas três atividades, os atletas estão passando por situações problema similares às que serão propostas na seqüência.
Somando-se o tempo que os atletas reúnem-se com o treinador, mais um tempo aproximado de quinze minutos para o aquecimento tem-se em torno de trinta minutos destinados a este momento do treino.

- Exercício 1

Com o estreitamento do campo de jogo, a distribuição dos cones e a pontuação na “zona azul”, há uma tendência para a dinamização do jogo mais em profundidade do que em largura. Princípios estruturais como a profundidade (ataque) e o bloco (defesa) aparecem como meios devido à exigência da atividade.

- Exercícios 2 e 3

Essa atividade proporciona a utilização de toda a largura em meio campo, potencializando alguns princípios estruturais como a amplitude (para quem ataca) e o equilíbrio vertical (para quem defende). Inclusive, o posicionamento dos cones amarelos indica bem essa questão.
A “zona azul” inserida no Exercício 3 cria novas problematizações para a atividade, pois a tentativa de invasão na mesma faz com que a gestão do espaço para ambas equipes se altere sensivelmente.

- Exercícios 4 e 5

Com a aproximação do desenho pretendido, o número de atletas bem próximo do jogo formal e o espaço pouco maior que meio campo, essa atividade visa a intensificação (não intensidade) do cumprimento dos objetivos obrigando as equipes a se ajustarem rapidamente aos estímulos do adversário.
No Exercício 5 foi colocada uma regra que a princípio parece em desacordo com o Modelo de jogo da Equipe, porém esse tipo de alteração, numa perspectiva sistêmica, gerará alguns comportamentos que podem ser importantes para o desenvolvimento do jogar da equipe, inclusive com o aparecimento de novos problemas a serem resolvidos.

Algumas informações são importantes sobre a Unidade de Treino:
- o tempo total de treino foi de duas horas (conversa com o treinador + aquecimento + parte central)
- esse treinamento foi realizado numa quinta-feira em uma semana com jogos aos domingos;
- os deslocamentos de um dos atletas (escolhido aleatoriamente) foi mensurado com GPS e os dados apontam para uma especificidade excelente;
- a freqüência cardíaca também foi aferida em alguns atletas (inclusive o atleta que portava o GPS) durante todo o treinamento;
- a quantidade de esforços anaeróbios láticos e aláticos durante a parte central (uma hora e meia) foi superior àquela referida por inúmeros autores que estudam as características do jogo de futebol, apontando para o fato de que com um processo bem estruturado, é possível manipular a performance dos jogadores no jogo.
 

Leandro Zago

domingo, 6 de setembro de 2009

Seleção Brasileira: a evolução do Modelo de Jogo

São incontestáveis os resultados obtidos pela Seleção Brasileira no ano de 2009, principalmente nas competições oficiais em que conquistou o título da Copa das Confederações e a classificação antecipada para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul com uma vitória em Rosário contra a Argentina. Após um ano de 2008 em que o Brasil não marcou um gol sequer jogando em casa pelas Eliminatórias da Copa, a equipe vem apresentando uma evolução considerável e desde a goleada por 6 a 2 contra Portugal (jogo amistoso ainda em 2008) e tem ganho jogos de adversários tradicionais por placares destacados como por exemplo a vitória contra o Uruguai pela Eliminatórias em Montevidéu por 4 a 0 e o 3 a 0 contra a Itália na Copa das Confederações.
Do ponto de vista da dominante tática, pode-se perceber que Dunga abriu mão da rigidez de realizar a recuperação da bola através de uma única plataforma tática e prepara a equipe para organizar-se espacialmente de acordo com a linha da bola aumentando a flexibilidade posicional e a capacidade de adequação às situações problema do jogo. Com essas alterações, em muitas ocasiões do jogo um problema do Brasil (recuperar a bola) tem se tornado um problema para o adversário (não perder a bola) o que muda essencialmente o jogo e a tomada de decisão do mesmo (o adversário).

Figura 1 – As variantes da Plataforma Tática Matriz (clique para ampliar)

Num momento inicial e pelas características dos jogadores, a plataforma tática que se configura é a 1-4-3-1-2 (figura 1 – A) que funciona como uma matriz para o aparecimento de novas configurações para as situações do jogo que vão se delineando. E como a partir das situações do jogo, novas plataformas vão se apresentando com regularidade, constata-se que realmente vão além de adequações posicionais da matriz para emergirem como alternativas para resolver as necessidades da equipe principalmente quando está sem a bola.

Quando o adversário inicia a circulação da bola no campo defensivo, o Brasil adianta a primeira linha de marcação até a intermediária ofensiva (figura 1 – B). Robinho e Elano adiantam-se nas faixas laterais e Luís Fabiano na faixa central com o Kaká também centralizado, porém um pouco mais atrás, formando um grande losango. Duas tarefas parecem balizar esse quarteto: manter a bola em circulação pela linha defensiva pelo maior tempo possível (aumentando as chances de um erro ser cometido e fazendo com que os mesmos tomem decisões precipitadas) e, se o adversário quiser aprofundar o jogo, direcioná-lo para o centro do losango onde sofrerá pressão imediata.

Caso a bola entre nesse espaço e não seja imediatamente recuperada, Elano e Robinho recuam até a linha do Kaká dando origem a plataforma 1-4-2-3-1 (figura 1 – C). Com essa formação, a referência é direcionar o adversário para as laterais, onde ele será pressionado.

Figura 2 – O Brasil no campo de defesa e o Balanço Defensivo (clique para ampliar)

Mesmo quando o adversário progride rapidamente, o Brasil consegue defender-se com pelo menos oito jogadores (goleiro + sete) atrás da linha da bola. Caso o ataque rápido ou contra-ataque do adversário seja desacelerado e ele comece a circular a bola na busca de espaços para finalizar (ataque posicional), o Robinho recua um pouco mais e mantem o equilíbrio horizontal da equipe assegurado (figura 2 – D) apontando para uma outra plataforma, o 1-4-4-1-1, com nove (goleiro + oito) jogadores atrás da linha da bola.

A organização defensiva brasileira enfrenta os seus maiores problemas quando tem que se defender muito próxima a seu gol. E isso não acontece simplesmente pela proximidade que o adversário está da sua meta, mas também porque nesta zona do campo a equipe (Seleção Brasileira) ainda demonstra uma considerável confusão em relação às referências para a marcação. Alguns jogadores mantem as estruturas com referências no espaço, outros acompanham o adversário direto, com pouca coordenação entre esses movimentos. Esse fato leva o Brasil a desorganizar-se e a recuperar a bola (com certa dificuldade e em zonas que não favorecem a manutenção ou a progressão) muito próxima do gol que defende tendo interferência direta na transição ofensiva que fica prejudicada. Nestes momentos do jogo, a Seleção fica em sua maioria na intermediária defensiva, sofrendo alguns ataque consecutivos (figura 2 – E).

O Brasil tem obtido muito êxito em ataques rápidos e contra-ataques, porém quando o adversário consegue construir situações que o induzem a circular com uma certa freqüência (ataque posicional) alguns problemas são apresentados. O principal deles é no balanço defensivo, que pode ser observado quando a Seleção enfrenta equipes que tem como princípio recuperar a bola e sair rápido para o campo de ataque. Os locais onde o risco é mais evidente nas últimas partidas são as faixas laterais (figura 2 – F), porque jogando contra equipes compactas, o Brasil busca penetrações por essa região na tentativa de dar melhor amplitude ao ataque.

Com três anos de trabalho sob o comando do técnico Dunga, fica evidente a evolução que a Seleção Brasileira teve desde que ele assumiu. Com menos de um ano para a Copa do Mundo, alguns detalhes ainda podem (e devem) ser acertados. Independente disso, o treinador chegará à Copa merecendo a credibilidade (que ele conquistou com bons resultados) de todos.


Leandro Zago

sábado, 10 de novembro de 2007

3-6-1

· Posicionamento

Figura 1 – 3-6-1

Esse sistema possui uma mistura de dois sistemas, a defesa e os alas do 3-5-2 com o meio de campo podendo ser montado como o de um 4-4-2.

Figura 2 – 3-6-1 B

Com o meio de campo montado no mesmo formato do “4-4-2 Losango” facilita-se a montagem de triângulos como podemos ver na figura.

· Características

- não exige muito desgaste físico na recuperação da bola;

- boa ocupação de espaço no setor defensivo;

- atrai o adversário possibilitando situações de contra-ataque;

- utilização dos alas no contra-ataque.

- poucos atletas com características de atacantes;

- poucos atletas à frente da linha da bola quando ela é recuperada no meio;

- quando a bola é recuperada exige muita qualidade para não ser perdida rapidamente;

- a cobertura dos alas necessita de muita coordenação defensiva;

- o adversário cria dificuldade se entrar com 1 ou 3 atacantes;

- necessita de zagueiros com boa técnica para a saída de bola.

Leandro Zago

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

3-5-2

· Posicionamento

Figura 1 – 3-5-2

Esse sistema foi muito utilizado a partir da Copa de 1990 na Itália, pois muitas seleções o utilizaram naquele torneio. Veio como uma alternativa para marcar o 4-4-2, visto que os 3 zagueiros garantiriam a sobra a todo momento. Os “laterais” nesse sistema passam a ser chamados de alas porque ganham novas funções tanto na parte defensiva quando devem marcar mais “por dentro” quanto na parte ofensiva quando tem participação ativa na armação do jogo. A inteligência e as características dos alas são fundamentais para que esse sistema de jogo funcione.

Figura 2 – 3-5-2 B

Com essa alteração no posicionamento, os alas tem uma função ofensiva mais importante, pois terão que dividir com o meia a responsabilidade da armação do jogo e chegada ao ataque.

· Características

- número equilibrado de jogadores em cada compartimento do campo;

- boa ocupação de espaço nos três setores;

- pode ser ofensivo ou defensivo com poucas alterações;

- armação de jogo pelas alas.

- a cobertura dos alas necessita de muita coordenação defensiva;

- o adversário cria dificuldade se entrar com 1 ou 3 atacantes;

- necessita de zagueiros com boa técnica para a saída de bola.

Leandro Zago

4-4-2

· Posicionamento



Figura 1 – 4-4-2

O 4-4-2 é um sistema que está presente no futebol a cerca de 20 anos, foi muito utilizado na década de 90 (principalmente no Brasil) por permitir uma enorme variação de posicionamentos, principalmente do meio de campo para a frente, e também por designar 2 jogadores para cada posição, facilitando a distribuição de tarefas. Utiliza-se, nesse sistema dois laterais que se alternam no momento do apoio ao ataque, um volante mais centralizado e outro que faça cobertura dos laterais, dois meias que participem da marcação e cheguem bem à frente, um atacante mais “de área” e outro com boa movimentação.

Figura 2 – 4-4-2 B

O 4-4-2 da figura acima é o chamado “4-4-2 Losango” que tem por característica a facilidade de se montar triângulos no seu posicionamento pela disposição dos atletas em campo. Pode ser ofensivo com um volante ou três meias, ou defensivo com três volante e um meia.

· Características

- número equilibrado de jogadores em cada compartimento do campo;

- boa ocupação de espaço nos três setores;

- pode ser ofensivo ou defensivo com poucas alterações.

- o apoio dos laterais não é protegido com muita eficiência;

- com os meias jogando em linha cria-se uma distância com os atacantes;

- com o losango, há espaço para o adversário nas laterais na linha média;

Leandro Zago

sábado, 8 de setembro de 2007

4-5-1

· Posicionamento

Figura 1 – 4-5-1

Esse sistema vem sendo muito utilizado pelos treinadores, que substituíram os dois antigos pontas por dois meias ofensivos que criam uma linha à frente dos volantes no momento em que a equipe está sem a bola e tem por função chegar a frente, encostando no atacante. Esses meias que jogam por fora são responsáveis também por facilitar a ultrapassagem dos laterais, aproximando-se destes e fazendo triangulações.

Figura 2 – 4-5-1 B

Neste novo posicionamento, são criadas duas linha de 4 jogadores com um volante entre elas e um atacante à frente. Com isso, é realizada uma marcação por zona que permite cobertura em todos os setores do campo de defesa sem muito desgaste físico. A partir do momento que a bola é recuperada, temos 4 meias para chegar ao ataque, permitindo que até cinco jogadores participem de um contra-ataque sem cada um deles percorra mais do que 50 metros.

· Características

- não exige muito desgaste físico na recuperação da bola;

- boa ocupação de espaço no setor defensivo;

- atrai o adversário possibilitando situações de contra-ataque;

- poucos atletas com características de atacantes;

- poucos atletas à frente da linha da bola quando ela é recuperada no meio;

- quando a bola é recuperada exige muita qualidade para não ser perdida rapidamente;


Leandro Zago

4-3-3

· Posicionamento

Figura 1 – 4-3-3

O 4-3-3 foi um sistema muito utilizado até meados da década de 80, surgiu do recuo de um dos atacantes do sistema 4-2-4 quando ainda não ocorria com freqüência a passagem dos laterais, fazendo com que as equipes jogassem com dois pontas bem definidos, cuja função na marcação era a de acompanhar os laterais adversários.

Esse sistema é bem presente no futebol moderno, mas teve que se adaptar porque as trocas de posições passaram a ser mais constantes e os laterais e pontas teriam que ocupar toda a lateral do campo. Acabou sobrando para os pontas que perderam seu prestígio por executar um número muito reduzido de funções, o que acarretou no desaparecimento desse jogador desde as categorias de base.

Figura 2 – 4-3-3 B

Na figura 2 podemos observar uma das variações possíveis do 4-3-3, quando um meia é trocado por um volante, fortalecendo o poder de marcação na intermediária defensiva e fazendo com que um meia apenas fique responsável pela armação de jogo. Dessa variação surgiu um novo sistema que veremos a seguir, o 4-5-1.

· Características

- número equilibrado de jogadores em cada compartimento do campo;

- boa ocupação de espaço no setor ofensivo;

- mantém um grande número de atletas adversários em seu próprio campo defensivo;

- é facilmente mudado com algumas alterações no posicionamento.

- menos atletas com características defensivas em comparação com outros sistemas;

- poucos atletas atrás da linha da bola;

- pouca participação defensiva dos atacantes;

- muito espaço à frente dos laterais;

- muito espaço para a cobertura dos volantes;


Leandro Zago